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Conversa de Homens

Existe um novo paradigma de masculinidade. O Homem Deixou de ser um parvalhão, passou a ser uma pessoa!

Existe um novo paradigma de masculinidade. O Homem Deixou de ser um parvalhão, passou a ser uma pessoa!

Abriram as portas dos festivais...

Hoje começam os festivais de verão. Um fenómeno antigo que atrai jovens e menos jovens amantes da música. Vão porque gostam das bandas mas também pelas experiências. Em 2003, quando fui desafiado para ser responsável pelo site do Rock in Rio-Lisboa (a primeira edição iria realizar-se em Portugal no ano seguinte e seria o regresso após um interregno de quase dez anos) a Internet não era o que é hoje. Não havia Facebook, e a Internet significava computador.

 

Mas não vou debruçar-me sobre o tema tecnológico, nem no caminho feito ao nível da cobertura de um evento desta dimensão através do digital onde havia, inclusivamente, uma área com atualizações ao minuto, em direto (em texto, é certo) de tudo o que se estava a passar nos palcos e no recinto em geral. De um site que ultrapassou o milhão de visitas em cada dia de festival. Vou falar de organização de eventos e da qualidade que o Rock in Rio trouxe aos festivais de verão.

 

Roberto Medina, costumo dizer, é uma das pessoas com quem mais gostei de trabalhar. Não é uma pessoa fácil, é exigente, as ideias fluem a uma velocidade frenética e toda a equipa de produção fica em polvorosa para conseguir colocar algumas delas em prática. Mas, no fim de tudo, resultam e todos saem com o orgulho em alta porque conseguiram implementar uma ideia que, de início, parecia uma loucura.

 

Irei dizer sempre, que foi um orgulho estar incluído naquela equipa de produção. Foram meses de preparação, reuniões, noitadas a procurar qualquer pormenor que para publicar no site do evento. Horas, à espera que o gelo artificial surgisse para o poder filmar e fotografar. Participei na edição de 2004, 2006 e 2008. Depois, abracei o projecto do Sapo Desporto.

 

E irei dizer sempre que foi Roberto Medina que descobriu, no centro da capital portuguesa, um espaço único para a realização de eventos de música com uma dimensão nunca antes vista. Há muitas histórias por contar, outras tantas já publicadas em livro pela própria produção do Rock in Rio, mas há algumas que me ficaram mais na retina como, por exemplo, ter sanitas a sério, casas de banho minimamente aceitáveis, num festival de música. Foi uma coisa quase do outro mundo. Um espanto quando, numa reunião geral, surgiu essa ideia. E Roberto Medina, fez aquele ar sério que diz, "estão a duvidar de quê? Vamos construir casas de banho a sério"...

 

E foram construídas. Mantê-las minimamente limpas, obrigou a uma operação específica. E a coisa até correu melhor do que se poderia esperar. Quando, em 2005, decidiu lançar os packs de Natal, disponibilizados em dezembro, para um festival que iria ocorrer em maio/junho do ano seguinte, e ainda sem um único nome artístico revelado, muitos pensaram que iria ser um fiasco. Esgotou em poucos dias. Uma espécie de reconhecimento do público pela qualidade do evento e das bandas contratadas para o festival.

 

A grande maioria dos festivais que já existiam em Portugal, viram-se também eles obrigados a seguir alguma estratégia ao nível da qualidade dos recintos, nos cuidados com os pontos de alimentação e bebidas, nos stands dos patrocinadores.

 

Ainda há pessoas que defendem que ir a um festival de música é comer pó. Roberto Medina, todos os dias, se preocupava com a relva do Parque da Bela Vista. Tinha de estar “verdinha” no dia da abertura das portas. Não foi tarefa fácil e, quando percebeu que era quase impossível manter a relva durante os cinco dias do festival, mesmo regando diariamente, avançou para colocação de um tapete de relva sintética. Afinal, nada resiste à passagem de 90 mil pares de pés aos saltos pelo recinto.

 

Hoje, é possível ver que a moda pegou a outros festivais. E isto é uma coisa boa, é a prova que, por vezes, precisamos de ter concorrência, pessoas com uma visão mais ousada, para melhorar o produto que temos.

 

Eu, que nem sequer sou um dos maiores fãs de festivais de verão (principalmente agora com uma filha pequena) vivi aqueles tempos em aprendizagem diária. Conheci os bastidores, estive lado a lado com algumas das maiores estrelas da música internacional, fui a Nova Iorque e esperei quase 16 horas por Axl Rose, quando regressou para lançar o Chinese Democracy (momento na foto que ilustra este artigo) e estive com ele em palco (já com a sala de espetáculos vazia); percebi o nervosismo da maior parte dos artistas antes da entrada em palco e que (aparentemente) desaparece assim que enfrentam a multidão de 90 mil pessoas aos gritos.

 

Assisti ao telefonema de Fergie, dos Black Eyed Peas, para a mãe, no final da atuação, a tentar que ela entrasse no site do festival para ver as fotos que "já estão disponíveis".

 

Era o espanto da velocidade da Internet a começar a surgir. Afinal, tinha acabado de sair do palco e o site do festival já tinha um texto e as fotos da atuação. Quase em tempo real, de Lisboa para o mundo. "Estas fotos são do espetáculo de hoje?", perguntou-me quando lhe mostrei, no backstage o computador com o artigo e galeria de fotos.

 

E isto é apenas um resumo, muito básico, da experiência vivida. Cada história teria de ser contada em separado. Hoje, passados 13 anos do Rock in Rio-Lisboa 2004, olho para o Facebook e está invadido por diretos feitos por todos os que estão à porta do Nos Alive e penso como, numa década, a Internet evoluiu de forma brutal. Tal como a qualidade dos festivais de verão.

 

Como já disse, não sou o maior fã dos festivais, já fui a alguns, em trabalho, já comi pó e andei aos encontrões, mesmo em trabalho, mas continuo a perceber que a inovação lançada por Roberto Medina, em 2004, foi consequente e contribuiu para a melhoria substancial das condições dos recintos. Agora, venha a boa música! Eu Vou, para o ano!

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