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Conversa de Homens

Existe um novo paradigma de masculinidade. O Homem Deixou de ser um parvalhão, passou a ser uma pessoa!

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A fotografia é uma paixão

Folhas de contacto

 

Quando decidi investir na formação em fotografia, optei pelo analógico. O digital estava já lançado, principalmente ao nível das máquinas compactas, amadoras, mas o meu objetivo era mais profissional. Além do custo elevado da versão profissional, queria perceber bem a génese da fotografia. A magia da revelação!

 

Fotografar com rolo é muito diferente da fotografia digital. Não no acto de disparar, mas no sentimento, na sensação de incerteza que nos invade antes e depois do clique. E dura até ao momento em que pegamos nas fotografias impressas.

Quando se tem um rolo de fotografias, só se sabe o resultado depois da revelação (daí também o nome, é o momento em que nos é revelado aquilo que o filme captou). Isto obriga-nos a pensar mais a fotografia.

O enquadramento, a iluminação, a profundidade de campo, a velocidade. Tudo tem de ser calculado de forma a conseguir obter um fotograma impecável. Isto é ainda mais verdade quando se trata de fotografia com slide. O que fica registado no momento do disparo, é o que sai na revelação. Não há ampliações ou "crops" no filme de slide.

Para quem possa estar a pensar que se demora uma eternidade para tirar uma foto. Em parte, tem razão. Não em todas, mas em alguns casos, o tempo é precioso. Obriga a apreciar a paisagem, o motivo que pretendemos fotografar. 

Mas, na maior parte dos casos, com um olho treinado, toda a análise é feita de forma quase imediata. A posição do sol, a intensidade da cor, a força dos contrastes, são os pormenores que, regra geral, um fotógrafo experiente treina ao longo do tempo, permitindo que esta análise seja quase inata!

 

A rapidez dos tempos modernos obriga a que se use o digital, mas este texto é sobre paixão. E para a paixão, todo o tempo do mundo é curto. Profissionalmente uso o digital, claro, mas o que aprendi no laboratório continua a ter uma importância determinante nas minhas decisões no momento de cada disparo. É quase inconsciente, mas está lá.

 

Do ponto de vista profissional tive experiências bastante intensas no mundo do futebol. Desde jogos na Primeira Liga Portuguesa a finais da Liga dos Campeões ou campeonatos da Europa e do Mundo. E, sinceramente, imagino a pressão dos fotógrafos da era analógica: tinham de revelar localmente os filmes, escolher as fotos, ampliar... mandar para as redações, por estafeta, com os diretores em pânico com a hora de fecho! Neste caso, o digital permite um fluxo muito mais rápido. As fotografias são enviadas em tempo real para as redações onde um editor as seleciona e divulga de imediato nos sites. Mas voltemos à paixão!

 

Somos todos fotógrafos!

Com o digital, com o acesso generalizado a câmeras nos smartphones, todos se sentem um pouco fotógrafos. Mas quando se olha para as fotografias feitas por profissionais, alguns questionam-se como se conseguem imagens como aquela? E o bichinho desperta, começam a perguntar como conseguimos fazer uma fotografia com aquela qualidade, com a força de sentimentos que nos transmite.

Uma coisa é certa, mesmo que um telefone consiga já, ao dia de hoje, "bons bonecos", há coisas que muito dificilmente vão conseguir fazer com câmeras compactas. Mas este tema, sobre as máquinas, qual escolher, ficará para o próximo texto. Bem sei que parece que tudo está a ficar a meio, mas há tanto para dizer e eu adoro partilhar esta experiência.

 

A falácia das redes sociais

 

O digital contribuiu para o aparecimento de mais amantes da fotografia, por todo o lado se vê pessoas a fotografar tudo e mais alguma coisa. É bom para o negócio, mas, se olharmos com atenção, a grande maioria fica apenas com um monte de ficheiros acumulados no computador.

 

Para esses, deixo apenas um conselho: se ainda não o fizeram, experimentem imprimir as fotos que tiram e sintam a diferença. Claro, se quiserem ir mais além, e tiverem oportunidade, façam uma incursão pelo mundo analógico. Quando forem levantar as fotografias, não estranhem se uma grande parte delas estiver estoirada (com luz a mais) ou demasiado escura, tremida, desfocada... A impressão, feita por profissionais, dificilmente consegue resolver alguns destes casos crónicos!

Principalmente porque a maioria acaba por fazer fotografias nos modos automáticos. Acreditem, nunca fica a mesma coisa. Uma boa parte de uma fotografia exemplar está no controlo da técnica!

 

Mas, mesmo que tenham esse impacto de frustração no momento em que apreciam as fotos impressas, se o fizeram, é porque querem ir mais longe na fotografia e isso servirá também para obrigar a refletir sobre o método.

 

Depois, tal como há os que consultam o Google para identificar e curar doenças, há os que se "transformam" em especialistas em fotografia por lerem alguns textos na Internet (como este, claro). Debitam características de máquinas, falam como se fossem grandes mestres da fotografia.  

 

Mais do que teoria, a fotografia precisa de prática, sensibilidade artística e paixão. Nunca me irei esquecer do comentário de um dos meus professores a um slide que registei na sequência de um exercício para exame. "Mais do que a técnica da fotografia, gosto quando um aluno transmite paixão na fotografia". Tratava-se de um exercício sobre profundidade de campo e nesse momento senti que estava a fazer a aposta certa.

 

Iluminação, abertura, velocidade sensibilidade do filme, ou ISO. São quatro conceitos básicos da fotografia, facilmente apreendidos por todos. Mas essa paixão, esse toque pessoal, ninguém consegue prever, nem imitar. Essa crítica foi crucial para eu perceber que aquele gostinho que sempre senti pela fotografia desde miúdo, quando fotografava, de forma contida, com a Kodak da minha mãe, por norma co um rolo de 36, (daquelas máquinas em que o flash era um cubo que permitia quatro disparos), afinal era algo que precisava de libertar.

Fotógrafos diferentes, a registar o mesmo momento, dará certamente fotografias diferentes. Há diversos estudos práticos sobre o tema.

Por isso, o meu conselho para quem ama realmente a fotografia, é investir num curso, preferencialmente que inclua laboratório. Depois disso, vão olhar para a fotografia com outros olhos. Vão perceber as diferenças de um preto e branco captado em filme, daqueles que fazem no digital, com recurso aos filtros da máquina ou ao photoshop.

 

Neste espaço vou dedicar os textos à fotografia, partilhar algumas fotos e fazer alguns testes. No fundo, partilhar esta paixão com quem quiser aceitar as dicas que tenho dado aos amigos que me questionam e pedem conselhos! Não caio no erro de considerar ser o melhor, longe de mim sequer imaginar tal rótulo, mas será a minha visão e, acima de tudo, paixão fotográfica.

 

Uma última nota que partilho com todos: Isso também me vai obrigar a revisitar e organizar o arquivo de negativos e slides que tenho guardados!

2 comentários

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    Paulo M. Guerrinha 18.02.2016 18:02

    Todas as experiências contam. cada um tem a sua visão da fotografia. Há algumas regras básicas, que ao serem quebradas também podem ser arte fotográfica. É mais uma coisa boa sobre fotografia. Fico à espera de ler sobre essa experiência!
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