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Conversa de Homens

Existe um novo paradigma de masculinidade. O Homem Deixou de ser um parvalhão, passou a ser uma pessoa!

Existe um novo paradigma de masculinidade. O Homem Deixou de ser um parvalhão, passou a ser uma pessoa!

Esquecemos os namoros antigos?

Escrita

 

Há uns anos, para dizer a verdade, há cerca de duas décadas, era mais complicado manter o contacto com os amigos que viviam longe. Nem por telefone, fixo, as comunicações podiam ser muito longas ou assíduas. Os custos eram muito elevados.

 

Para combinar encontros, tinha de haver rigor. Havia horas marcadas, acertadas com antecedência, ou encontros regulares no café a partir das 20h30. E os amigos juntavam-se. Iam a festas, a bares, a discotecas. Num grupo de amigos sabia-se sempre onde os outros estavam a determinada hora. Hoje, não é bem assim. Os desencontros acumulam-se. Combinam-se coisas em cima da hora, marcam-se encontros importantes pelo Facebook. Quem viu, viu, quem não viu...

 

Mesmo no que respeita a namoros, os encontros, as conversas, tinham mais planeamento.

 

Por isso, a carta, escrita à mão, ou na máquina de escrever (mas era mais impessoal. E sim, há duas décadas os computadores ainda não estavam vulgarizados como hoje em dia), era o meio eleito para manter as conversas em dia. E os correios (quase) nunca falhavam. Mantive, durante algum tempo, uma espécie de amor platónico com uma amiga das ilhas.

Quem não teve uma desilusão, provavelmente, não sabe dar valor ao amor.

Dedicava tempo a escrever poemas, a descrever os meus sentimentos. Tentava aplicar o método dos romances antigos. Funcionou. Mesmo à distância, era correspondido. Cada um na sua vida, mas aquele momento em que escrevíamos ou líamos as cartas recebidas, era só nosso. A ansiedade pela resposta, que não tinha dia nem hora marcada, fazia correr para a caixa do correio diariamente.

 

A escrita era lida várias vezes, até à chegada da próxima. Ainda cheguei a fazer uma viagem até à ilha, onde estive com ela, mas, nessa altura, tinha outra namorada. E foi comigo! Tudo se manteve ao nível platónico, foi quase como se nunca tivesse estado com ela.

 

Depois de toda esta fase de correspondência, que ainda durou uns anos (não me recordo de quantos. Uma cheia, em casa dos meus pais, levou a maior parte dos papeis, das cartas, das fotos da minha infância) e de alguns, poucos, telefonemas feitos de uma cabine, só a vi mais uma vez. Um encontro rápido, de surpresa, numa vinda ao Continente, que selou uma despedida. Crescemos! Os destinos não se cruzavam, afastavam-se!

 

Tive namoradas mais altas do que eu, mais baixas; que me levaram a cometer loucuras; que passaram comigo dias inteiros no meio dos campos de malmequeres perto da casa dos meus pais; que me despedaçaram o coração; as que tiveram o coração despedaçado por mim; "a" namorada (aquela que, com alguma inocência, pensávamos vir a casar); as namoradas que nunca chegaram a ser. A maior parte, amores inocentes.

 

Estas memórias fazem parte de quem somos. Isso não representa uma traição. Não significa que o amor que tenho hoje ao meu lado não seja intenso ou verdadeiro, incondicional. Pelo contrário! É com a minha mulher, mãe da minha filha, que desejo passar o resto dos dias.

 

Já passei os 40. Sim, estou naquela fase da canção. Mas, sinceramente, não me sinto diferente do que sempre fui. Encaro, e sempre encarei, o amor da mesma forma. Dedicação, de corpo e alma à mulher que me acompanha nesta jornada. Mas, mesmo desejando passar o resto da vida com a mãe da minha filha, é impossível apagar da memória as mulheres que me acompanharam.

 

Um homem que diga que o fez, está a mentir. Tal como uma mulher. Elas, normalmente, ainda recordam mais!

Mas nós, homens, mostramos mais desconforto com as memórias delas!

 

Não sei se alguma vez pensaram no tema, mas fica aberta a discussão, para quem quiser partilhar.

Se nunca o fizeram, ou não o fazem há muito tempo, experimentem escrever uma carta de amor. Escrita à mão, com uma caneta. Escolham uma boa caneta, uma que dê prazer ao escrever e deixem fluir a veia de poeta.

 

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