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Conversa de Homens

Existe um novo paradigma de masculinidade. O Homem Deixou de ser um parvalhão, passou a ser uma pessoa!

Existe um novo paradigma de masculinidade. O Homem Deixou de ser um parvalhão, passou a ser uma pessoa!

Vamos lá conversar sobre o paraíso da igualdade

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Para quem tem acompanhado este blog sabe que ele nasceu para dar conta de uma atitude masculina diferente no que respeita à condição de Homem e parceiro numa relação. Quanto a isso, creio que não haverá dúvidas.

 

Graças ao que escrevo, já fui reportagem na RTP e convidado para o programa da Fátima Lopes, para falar desta coisa de ser um "pai presente". Algo que me espanta, porque sinto que não faço nada de extraordinário, mas onde participei para mostrar que os homens podem e devem assumir estas responsabilidades. Mas, confesso, tal como refere a Catarina carvalho, no seu artigo publicado no DN, eu deixo muitas vezes as meias no chão. E não, nem sempre sou eu a apanhá-las porque as meias não podem estar no chão até que eu as apanhe (esta última parte com tom irónico).

 

Vale a pena reforçar que a questão das desigualdades, no que diz respeito às mulheres, é grave e pode ser de solução mais complicada do que aparenta. Mas porque se fala das meias no chão, de pensar o jantar ou lavar a loiça?

Como é óbvio, as meias não podem ficar no chão nem a discussão ficar a meio!

Como disse, eu até sou um dos tais que ajuda nestas tarefas. Há cinco anos (praticamente desde que terminou a licença de maternidade) que sou eu quem dá banho e jantar à minha filha. Na maior parte dos dias, na ausência da mãe, porque trabalha para lá daquilo que deveriam ser os seus horários. Mas não vou aprofundar este tema porque, como costumo dizer, se as mulheres lutam pela igualdade em casa, e sabem (e bem) dizer não, devem fazer o mesmo em relação aos chefes. É aqui que a mudança tem de começar!

 

Como é óbvio, e nunca escondi isto, existem diferenças que jamais será possível colocar em pé de igualdade entre homens e mulheres. Aquilo a que podemos chamar de feitio, genes, ou manias. Cada um tem as suas e quando se trata de homens e mulheres ainda se encontram mais disparidades de feitio.

 

Por isso, vamos por partes: Sim, eu deixo as meias no chão, nem sempre coloco logo a roupa no cesto e gosto de gerir o meu tempo e a altura em que faço as tarefas. Mas quando a fêmea está por perto, as meias têm de ser logo apanhadas, nem mais um segundo no chão, a loiça já deveria ter sido lavada (não que dali a 10 minutos não fosse, mas com ela, tem de ser logo), e o jantar, como já disse, a maior parte das vezes sou eu quem o faz. Já para não falar da velha guerra que é preciso limpar a casa porque amanhã vem a mulher a dias!

 

E não, não sou o único. Mas voltemos a estas diferenças. Quando a minha mulher chega a casa, tarde, aquilo que eu apreciava era que ela se sentasse ao meu lado um pouco e não que estivesse a atender telefonemas e a responder a Whatsapps de trabalho enquanto corre de um lado para o outro a apanhar as meias como se as meias estarem ali fosse uma espécie de gatilho parar a Terra parar de girar.

 

Por vezes, é uma questão de timing e muitas das mulheres que estão a ler isto (se conseguiram chegar até aqui) devem sentir arrepios a pensar, "um par de meias no chão? E não apanhas logo? Javardo!"

 

São estas diferenças que, obviamente, podem mudar com a prática mas que, no fundo, bem lá no fundo, estão enraizadas na génese humana. Não se resolve (apenas) com educação. Mesmo quando passo aquela fase em que ando mais 30 centímetros para colocar as meias no cesto em vez de as deixar no chão (leia-se, em cima dos sapatos, não andam meias a rolar pela casa), sinto como se fosse um esforço hercúleo. Se me perguntarem a razão, não sei responder, é mais forte do que eu.

 

Mas há coisas mais relevantes nesta discussão da igualdade de géneros. Se eu perguntar a uma mulher, a qualquer uma, quem decide ter filhos, a resposta será clara. No útero, mandam as mulheres. E muitas vezes, os homens, os parceiros, sofrem uma violência imensa por ficarem privados de ter filhos. Não vamos abordar aqui a outra questão, quando as gravidezes sucedem por "acidente"...

 

Quando se fala de tudo isto é preciso entender que as mulheres têm sim muito poder. E, antes de avançar, declaro já que qualquer homem que agrida uma mulher é apenas um covarde de meia tigela e que é urgente as autoridades deixarem de olhar para as queixas como se isto fosse algo menor. No entanto, quantos (e quantas) sabem que na casa ao lado o casal passa a vida a discutir e nunca intervêm? E quantos dos que intervêm acabam por se ver ofendidos até pela própria mulher agredida?

 

E mais uma vez, é preciso abrir um parênteses para os homens que são agredidos por mulheres, é preciso entender que muitas vezes as coisas não são apenas brancas e pretas. A questão é que a violência não é apenas física, apesar de ser esta a que leva à maioria das mortes covardes e que poderiam ser evitadas porque, em todas elas, existia um histórico de relato às autoridades.

 

Creio que todos os homens e todas as mulheres que defendem a igualdade concordam que existem níveis diferentes nesta luta. Da mesma maneira que as mulheres podem fazer qualquer tarefa, como pintura, bricolage, mecânica, os homens podem aspirar, passar a ferro, cozinhar, apanhar as meias do chão.

 

Mas, quantas sentem vontade de fazer estas "tarefas de homem"? Quantas deixam arrastar até ao limite pegar no berbequim, mesmo as que sabem como funciona? (E antes de mais nada, devo dizer-lhes que conheço muitos homens que nem numa chave de fendas sabem pegar).

 

Voltamos àquela velha discussão da génese humana, das diferenças entre homens e mulheres, daquilo que caracteriza cada um como um ser individual. Da vontade própria, livre arbítrio porque, quando sou obrigado a apanhar as meias do chão quando ela quer, estou a ser obrigado a fazer algo que não me apetece fazer naquele momento.

 

Irei fazê-lo? Sim, mas se calhar, quando me apetecer e aproveitando a "longa" deslocação ao cesto para colocar qualquer outra peça de roupa, por vezes, uma peça dela ou da criança. Sim, porque elas também deixam as meias no chão. Menos vezes, certamente, mas também deixam.

 

Por isso, quando se fala destas questões, não se pode ir aos extremos. É preciso encontrar o meio termo, o consenso e, acima de tudo, aceitar as diferenças e a liberdade de cada um e cada uma.

 

Eu queria ter filhos mais cedo. Ela não, com medo do que a gravidez poderia fazer à sua carreira. Fui solidário, mas o tempo não pára. Quantas mulheres, que pretendem engravidar, são contrariadas pelos companheiros, alguns deles já com filhos de outras mulheres?

 

Será isso justo ou vão dizer que para elas é simples, arranjam forma de engravidar porque os homens são uns fáceis de manipular na cama. Quando os acidentes acontecem, são elas que decidem se interrompem ou não, quando é o homem que não quer, lá terá de assumir as responsabilidades (não estou a falar das questões que sucedem na adolescência, entre adolescentes). Eu espero, e desejo, que estas palavras não sejam lidas como uma espécie de está tudo bem e as mulheres são más e culpadas. Pelo contrário. Coloco isto em pé de igualdade e não podemos misturar uma opinião, uma maneira de estar, com a realidade. E cada realidade deve ser olhada isoladamente.

 

Entendo que é preciso acabar com as diferenças que existem a nível laboral, com o estigmas sociais, mas jamais irei aceitar que um homem é exatamente igual a uma mulher. Porque não é! Nem fisica nem emocionalmente. E isso é bom!

Quando as mulheres se fecham a discutir este tema apenas entre mulheres, em nada contribuem para a solução. Debates na televisão onde não existe um único homem para dar a sua posição; ou estudos onde apenas participam mulheres, são pouco representativos da realidade.

 

Recordo uma parte do estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos, "As mulheres em Portugal", tratado em notícia no DN, onde se pode ler que "em 46% dos casais portugueses, a mulher aufere menos rendimentos do que o companheiro - apenas em 15% dos casos ela obtém mais".

 

Vamos olhar para números, e sabendo desde já que existe uma injustiça clara a este nível relativamente às mulheres. Isto significa que em 54% dos casos os valores estão mais equilibrados. O que diz exactamente o estudo: "Em 46% dos casais compostos por um homem e por uma mulher, esta aufere menos rendimentos do que o companheiro; em 27% dos casos, os membros do casal auferem rendimentos semelhantes; em 15% dos casos ela aufere mais do que ele; em 7% dos casos nenhum dos dois trabalha; e, finalmente, em 5% dos casais ambos têm rendimentos variáveis, o que dificulta a comparação".

 

Gosto em especial da parte em que se reforça que o casal é composto por um homem e uma mulher!

 

Não pretendo dizer, está tudo bem, porque ainda há muita coisa para resolver nesta matéria mas esta tem e ser uma discussão aberta a todos e não apenas às mulheres que, muitas vezes, consideram que os homens não sabem nada disto.

 

Seguimos em frente porque desentupir os canos (na maior parte das vezes devido aos longos e sedosos cabelos), arranjar uma torneira, fazer alterações elétricas para mudar tudo para Led, afinar a porta, arranjar as rachas nas paredes, betumar e pintar a casa também são tarefas domésticas e estas deveriam começar a ser contabilizadas nos estudos efetuados.

 

Como é óbvio, as meias não podem ficar no chão nem a discussão ficar a meio! E para terminar, principalmente para todos os que já me catalogaram como machista, saibam que não sou, saibam que tenho um prazer imenso com o sucesso profissional da minha mulher e que não me aflige nada, nem nunca afligiu, ser liderado por uma mulher. Fui, desde que nasci, liderado por uma das mulheres mais fortes que conheci, que sofreu, defendeu e lutou pelos filhos: a minha Mãe!

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